O Relatório Anual Socioeconômico da Mulher – RASEAM 2025 traz um panorama importante e alarmante sobre as desigualdades enfrentadas pelas mulheres no Brasil. Com 328 indicadores, o documento do Ministério das Mulheres confirma com dados aquilo que a Rede Oblata vivencia diariamente.
No atendimento a mulheres em contextos de prostituição e vulnerabilidade social, estão muito visíveis os desafios estruturais da pobreza, da violência, do racismo e da falta de acesso a direitos básicos.

Segundo o RASEAM 2025, as mulheres negras continuam sendo as principais vítimas da violência, do desemprego, da informalidade e da exclusão educacional.
60,4% dos registros de violência contra mulheres adultas foram contra mulheres pretas e pardas, reforçando o racismo estrutural como fator agravante da violência de gênero. (2023)
Além disso, a taxa de insegurança alimentar é mais alta em domicílios chefiados por mulheres:
33,1% vivem com insegurança leve, 12,1% moderada e 9,7% grave. A maioria dessas mulheres recebe programas sociais, como o Bolsa Família, sendo 83,5% as titulares do benefício.
A análise educacional também reflete desigualdades profundas. Muitas mulheres negras enfrentam abandono escolar devido à necessidade de trabalhar, à gravidez precoce e à sobrecarga de cuidados domésticos.
O Programa de Dignidade Menstrual destaca-se no campo da saúde, com a distribuição de absorventes a mais de 2 milhões de mulheres em situação de vulnerabilidade, sendo 77,1% delas negras e pardas.
Políticas públicas como essa são essenciais para garantir dignidade e permanência escolar.
A Rede Oblata atua diretamente com mulheres que enfrentam a sobreposição dessas vulnerabilidades e reforça seu compromisso na defesa de direitos, facilitando o acesso à rede socioassistencial, oportunidades formativas, promoção do bem-estar e saúde integral da mulher. A maior parte do público atendido pelas unidades Oblatas no Brasil tem baixa escolaridade, histórico de violência, estigma social e falta de acesso a direitos básicos. Confira o livro Prostituição: mudanças, autoimagens, confrontações e violência.
Políticas públicas citadas que merecem atenção (vigilância contínua):
- Lei Maria da Penha (11.340/2006) e a Lei do Feminicídio (13.104/2015) como marcos legais no enfrentamento à violência.
- Lei 14.214/2021 e Decreto 11.432/2023, que criaram e regulamentaram o Programa de Dignidade Menstrual.
- A expansão da rede de atendimento a mulheres em situação de violência, incluindo Casas da Mulher Brasileira, delegacias especializadas, centros de referência e serviços de saúde integrados.
O RASEAM é fruto do aperfeiçoamento das políticas para as mulheres, pois busca
Cida Gonçalves
nos registros administrativos e pesquisas estatísticas informações úteis para formulação, implementação, monitoramento e avaliação das políticas para as mulheres.
Além disso, as informações divulgadas pelo RASEAM visam servir de ferramenta
para estimular a participação social.
Ministra de Estado das Mulheres
Os dados do RASEAM 2025 são um chamado urgente para fortalecer políticas públicas e iniciativas da sociedade civil comprometidas com a justiça social.

Acesse o Painel de Indicadores do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero
O Raseam é construído a partir de 7 eixos temáticos:
- ESTRUTURA DEMOGRÁFICA. Traça um perfil da população brasileira e trabalha com dados principalmente da Pnad Contínua/IBGE;
- AUTONOMIA ECONÔMICA E IGUALDADE NO MUNDO DO TRABALHO. Trabalha com a inserção da mulher no mercado de trabalho, buscando trazer sempre desagregações de cor/raça, situação de domicílio; aborda temas como acesso à creche, estudo do uso do tempo, taxa de atividade econômica, desocupação, trabalho doméstico, trabalho informal, entre outros;
- EDUCAÇÃO PARA A IGUALDADE E CIDADANIA. Trata do acesso à educação superior e básica, educação profissional, evasão escolar entre outros assuntos;
- SAÚDE INTEGRAL DA MULHER. Traça um panorama da saúde das mulheres brasileiras, abordando temas como doenças crônicas, doenças sexualmente transmissíveis, mortalidade materna;
- ENFRENTAMENTO DE TODAS AS FORMAS DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES. Apresenta os dados dos principais registros administrativos de violência contra a mulher. Entre eles, o Ligue 180, o Disque 100, o SIM e o Sinan, do Ministério da Saúde, entre outros.
- MULHERES NO ESPAÇO DE PODER E DECISÃO. Avalia o acesso das mulheres aos cargos públicos, nos três poderes, sejam eles eletivos ou de carreira, e aos cargos de direção nas empresas e nos sindicatos.
- COMUNICAÇÃO, CULTURA E ESPORTE. Analisa o acesso das mulheres às tecnologias de informação e comunicação, às atividades físicas e aos esportes de alto rendimento.
Fonte: Ministério das Mulheres: https://www.gov.br/mulheres/pt-br/observatorio-brasil-da-igualdade-de-genero/raseam